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D. Paiva es Director (voluntario) del
Centro Memorial Cabano (CMC) y Técnico de la Asociación Paraense de
Apoyo a las Comunidades Carentes (APACC), en Belém, estado de Pará,
Amazonia, Brasil.
La Red de Promotores Ciudadanos frente a la
Globalización es una red de ciudadanos preocupados por los
impactos de la globalización en América Latina
y el papel de la sociedad civil frente a ella -
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Estamos presenciando mudanças profundas no modo como a economia, a política e as
relações sociais estão se conformando a partir do fenômeno da globalização.
Contudo, muitas vezes, o termo globalização se apresenta como algo
estranho para a maioria das pessoas, ainda que seus impactos no cotidiano rural
e urbano sejam evidentes: notícias do outro lado do mundo invadindo o espaço
familiar por meio da televisão, rádio e jornal; produtos de diversos países
sendo vendidos nas feiras da periferia e nos shopping centers do centro
das cidades; costumes, modas e outros produtos culturais mesclando-se a formas
tradicionais e até mesmo influenciando o surgimento de novas formas de
compreensão do mundo, do ser humano e da sociedade.
A globalização está até mesmo nas mesas, nos padrões alimentares que se
disseminam. Os exemplos mais evidentes desse fenômeno é a coca-cola (conhecida
por todos) e a margarina, uma gordura vegetal produzida a partir da soja, que
está presente no café da manhã da imensa maioria das famílias que tem condições
econômicas de fazer esta refeição. Portanto, refletir sobre este fenômeno que
atinge diretamente o dia-a-dia é algo necessário como construção de uma práxis,
ou seja, como um pensamento que busca superar os condicionamentos do cotidiano,
refletindo-o criticamente, tensionando-o e superando-o teoricamente; assim como
construção de uma prática, uma ação material e objetiva que se propõe à intervir
e transformar uma dada realidade.
O
processo de globalização tem influência não apenas no cotidiano das pessoas, mas
também nas ações e políticas sociais desenvolvidas pelos governos em suas
diversas esferas (federal, estadual e municipal) em especial tem conseqüências e
impactos nas ações e políticas de garantia de direitos daqueles setores mais
vulneráveis da população. Desta forma, identificar e analisar a conexão entre
globalização e construção de políticas locais é também um elemento necessário à
efetivação de uma práxis e uma prática que se proponham à inovação e à superação,
enfim à construção do humano em suas múltiplas dimensões.
Frente a este cenário, o Centro Memorial Cabano - CMC, estimulado pelo curso
realizado pelo CLAES (“Enfrentando a globalização”), idealizou e realizou
em parceria com a Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro uma Oficina Temática na
cidade de Belém, Amazônia, Brasil, tendo como eixo de reflexão os impactos da
globalização na defesa local dos direitos da criança e adolescente. A
oficina teve como objetivos:
1. Nivelar informações sobre as dimensões econômica, política e sócio-cultural
da globalização.
2. Debater os impactos do processo de globalização nas ações públicas de defesa
dos direitos de crianças e adolescentes.
3. Identificar as possibilidades de ação pessoal e comunitária frente ao
processo de globalização, em especial na defesa dos direitos de crianças e
adolescentes.
A oficina aconteceu no dia 24/11/2007, contando com a participação de 20
lideranças comunitárias, sendo reconhecida por todos como um momento formativo
importante, especialmente porque para muitos era a primeira vez que estavam
refletindo sobre o tema da globalização, apesar de já terem “ouvido falar sobre
o assunto”.
Esta
foi a tônica geral da oficina: pensar as influências deste movimento global
–dinamizado por forças gigantescas–
no cotidiano de um bairro e de uma cidade da periferia amazônica, tendo como
recorte deste cotidiano as questões relativas à garantia e defesa dos direitos
de crianças e adolescentes.
A oficina se desenvolveu com dinâmicas que favoreceram a troca de experiências e
de compreensão do fenômeno da globalização e seus impactos nas políticas
relativas à criança e adolescente. Houve a construção de mandalas (figuras
circulares) que representassem as expectativas dos participantes, uma exposição
dialogada sobre as múltiplas dimensões da globalização, elaborada a partir das
informações discutidas no curso do CLAES e finalmente os participantes foram
divididos em grupos para estudar dois textos: um sobre a situação da criança em
um mundo globalizado (uma adaptação do artigo de Ricardo Mascheroni (socializado
no Grupo Virtual de Promotores Cidadãos frente à Globalização) e outro artigo de
Rodrigo Adorno sobre a violação dos direitos da criança e adolescente no Brasil.
Estes grupos apresentaram suas conclusões através de formas diversificadas de
linguagem: cartazes, poesia e um painel.
Ao final, os participantes avaliaram a atividade como muito positiva, tanto que
firmaram o compromisso de replicarem a discussão em suas comunidades, assim como
foi expresso o interesse de realizar a oficina em outra área geográfica, junto a
outras comunidades.
A experiência demonstrou a necessidade de desenvolvermos a reflexão sobre a
globalização, articulando esta temática com o cotidiano, com a vida concreta das
pessoas que vivem seus sonhos, medos, esperanças e desilusões nas periferias e
centros urbanos e no meio rural. Faz-se necessário evidenciar de forma crítica a
conexão que há entre a dinâmica global e os condicionantes econômicos, sociais e
políticos locais, assim como sua influência na dimensão cultural que permeia a
vida destas comunidades.
Será desde este “chão” que poderemos firmar processos coletivos onde a cidadania,
o direito e a justiça se coloquem como contraponto de uma lógica de globalização
da miséria, da fome e da morte.
Publicado en el semanario Peripecias Nº 77 el
12 de
diciembre de 2007. Se permite la reproducción del
artículo siempre que se cite la fuente. Licencia de Creative Commons con
algunas restricciones.
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