Peripecias Nº 77 - 12 de diciembre de 2007

CIUDADANIA

 

Oficina Temática na cidade de Belém, Amazônia, Brasil

 

Globalização e direitos de crianças e adolescentes

 

Daltro Paiva

 

 

D. Paiva es Director (voluntario) del Centro Memorial Cabano (CMC) y Técnico de la Asociación Paraense de Apoyo a las Comunidades Carentes (APACC), en Belém, estado de Pará, Amazonia, Brasil.

 

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Estamos presenciando mudanças profundas no modo como a economia, a política e as relações sociais estão se conformando a partir do fenômeno da globalização. Contudo, muitas vezes, o termo globalização se apresenta como algo estranho para a maioria das pessoas, ainda que seus impactos no cotidiano rural e urbano sejam evidentes: notícias do outro lado do mundo invadindo o espaço familiar por meio da televisão, rádio e jornal; produtos de diversos países sendo vendidos nas feiras da periferia e nos shopping centers do centro das cidades; costumes, modas e outros produtos culturais mesclando-se a formas tradicionais e até mesmo influenciando o surgimento de novas formas de compreensão do mundo, do ser humano e da sociedade.

 

A globalização está até mesmo nas mesas, nos padrões alimentares que se disseminam. Os exemplos mais evidentes desse fenômeno é a coca-cola (conhecida por todos) e a margarina, uma gordura vegetal produzida a partir da soja, que está presente no café da manhã da imensa maioria das famílias que tem condições econômicas de fazer esta refeição. Portanto, refletir sobre este fenômeno que atinge diretamente o dia-a-dia é algo necessário como construção de uma práxis, ou seja, como um pensamento que busca superar os condicionamentos do cotidiano, refletindo-o criticamente, tensionando-o e superando-o teoricamente; assim como construção de uma prática, uma ação material e objetiva que se propõe à intervir e transformar uma dada realidade.

 

O processo de globalização tem influência não apenas no cotidiano das pessoas, mas também nas ações e políticas sociais desenvolvidas pelos governos em suas diversas esferas (federal, estadual e municipal) em especial tem conseqüências e impactos nas ações e políticas de garantia de direitos daqueles setores mais vulneráveis da população. Desta forma, identificar e analisar a conexão entre globalização e construção de políticas locais é também um elemento necessário à efetivação de uma práxis e uma prática que se proponham à inovação e à superação, enfim à construção do humano em suas múltiplas dimensões.

 

Frente a este cenário, o Centro Memorial Cabano - CMC, estimulado pelo curso realizado pelo CLAES (“Enfrentando a globalização”), idealizou e realizou em parceria com a Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro uma Oficina Temática na cidade de Belém, Amazônia, Brasil, tendo como eixo de reflexão os impactos da globalização na defesa local dos direitos da criança e adolescente. A oficina teve como objetivos:

 

1. Nivelar informações sobre as dimensões econômica, política e sócio-cultural da globalização.

 

2. Debater os impactos do processo de globalização nas ações públicas de defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

 

3. Identificar as possibilidades de ação pessoal e comunitária frente ao processo de globalização, em especial na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

 

A oficina aconteceu no dia 24/11/2007, contando com a participação de 20 lideranças comunitárias, sendo reconhecida por todos como um momento formativo importante, especialmente porque para muitos era a primeira vez que estavam refletindo sobre o tema da globalização, apesar de já terem “ouvido falar sobre o assunto”.

 

Esta foi a tônica geral da oficina: pensar as influências deste movimento global dinamizado por forças gigantescas no cotidiano de um bairro e de uma cidade da periferia amazônica, tendo como recorte deste cotidiano as questões relativas à garantia e defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

 

A oficina se desenvolveu com dinâmicas que favoreceram a troca de experiências e de compreensão do fenômeno da globalização e seus impactos nas políticas relativas à criança e adolescente. Houve a construção de mandalas (figuras circulares) que representassem as expectativas dos participantes, uma exposição dialogada sobre as múltiplas dimensões da globalização, elaborada a partir das informações discutidas no curso do CLAES e finalmente os participantes foram divididos em grupos para estudar dois textos: um sobre a situação da criança em um mundo globalizado (uma adaptação do artigo de Ricardo Mascheroni (socializado no Grupo Virtual de Promotores Cidadãos frente à Globalização) e outro artigo de Rodrigo Adorno sobre a violação dos direitos da criança e adolescente no Brasil. Estes grupos apresentaram suas conclusões através de formas diversificadas de linguagem: cartazes, poesia e um painel.

 

Ao final, os participantes avaliaram a atividade como muito positiva, tanto que firmaram o compromisso de replicarem a discussão em suas comunidades, assim como foi expresso o interesse de realizar a oficina em outra área geográfica, junto a outras comunidades.

 

A experiência demonstrou a necessidade de desenvolvermos a reflexão sobre a globalização, articulando esta temática com o cotidiano, com a vida concreta das pessoas que vivem seus sonhos, medos, esperanças e desilusões nas periferias e centros urbanos e no meio rural. Faz-se necessário evidenciar de forma crítica a conexão que há entre a dinâmica global e os condicionantes econômicos, sociais e políticos locais, assim como sua influência na dimensão cultural que permeia a vida destas comunidades.

 

Será desde este “chão” que poderemos firmar processos coletivos onde a cidadania, o direito e a justiça se coloquem como contraponto de uma lógica de globalização da miséria, da fome e da morte.

 

Publicado en el semanario Peripecias Nº 77 el 12 de diciembre de 2007. Se permite la reproducción del artículo siempre que se cite la fuente. Licencia de Creative Commons con algunas restricciones.

 

 

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